A volatilidade do câmbio em 2026 exige que viajantes e empresas adotem práticas sólidas de planejamento para proteger seu orçamento e maximizar oportunidades no exterior.
Introdução ao cenário cambial de 2026
O ano de 2026 tem sido marcado pela valorização de 5,9% no real frente ao dólar americano, impulsionada por fatores internos e externos. Em janeiro, nosso país alcançou o segundo melhor desempenho global, ficando atrás apenas do peso chileno.
Com o dólar comercial oscilando em torno de R$ 5,50 e projetado para manter essa estabilidade, o Brasil conta também com reservas cambiais em patamares elevados, atingindo US$ 371 bilhões em fevereiro. Esses números conferem maior segurança, mas não eliminam a necessidade de estratégias eficazes.
Além disso, a combinação de ciclo de juros em patamar elevado — Selic próxima a 12% — e inflação projetada em torno de 4,2% reforça a importância de decisões bem fundamentadas para minimizar custos em deslocamentos e operações financeiras.
Impactos em viagens e negócios
O câmbio influencia diretamente todos os custos de viagens internacionais, incluindo passagens, hospedagem e despesas cotidianas. Em 2025, os gastos de brasileiros no exterior bateram recorde de US$ 21,7 bilhões, demonstrando resiliência mesmo diante das oscilações monetárias.
Para empresas, o custo de viagens corporativas otimizado tornou-se prioridade. A tarifa aérea média passou de R$ 662,61 em 2022 para R$ 631,16 em 2024, refletindo leve queda, mas mantendo alta sazonalidade em janeiro, julho e dezembro.
O setor hoteleiro também registrou avanços: ocupação subiu 2,5% e o RevPAR aumentou 13,8% no período de janeiro a agosto de 2025, com projeções de faturamento de R$ 28,5 bilhões para 2026. A alta do dólar favoreceu o turismo doméstico, direcionando investimentos de mais de R$ 10,5 bilhões, principalmente no Sudeste e Sul.
IOF e taxas em operações cambiais
Desde maio de 2025, todas as operações cambiais foram unificadas em unificação da alíquota do IOF de 3,5%. Isso inclui cartões de crédito, débito, remessas e compra de moedas em espécie, simplificando o cálculo de custos, mas elevando despesas em algumas modalidades antes mais baratas.
Para remessas a investidores no exterior, o antigo benefício de isenção foi eliminado, gerando impacto direto em transferências de capital e aportes. Empresas que dependem de fretes internacionais e importações devem incluir esse novo patamar no planejamento financeiro.
Por outro lado, o aumento do IOF pode ser compensado por planejamento financeiro antecipado e estratégico, especialmente ao programar compras de moeda em janelas de menor demanda — historicamente em março e outubro.
Estratégias para minimizar perdas
Empresas e viajantes que desejam proteger seu orçamento devem adotar práticas alinhadas ao timing de compras em janelas baixas e ao monitoramento constante do mercado.
- Comprar moeda estrangeira em momentos de estabilidade cambial.
- Utilizar instrumentos de hedge cambial para empresas com alto fluxo de importação.
- Negociar com antecipação tarifas aéreas e diárias de hotel, aproveitando descontos sazonais.
- Consolidar transações de remessa para reduzir incidência de IOF.
- Comparar históricos de inflação e ajuste orçamentário periodicamente.
Riscos e projeções futuras
Apesar da cenário global instável e desafiador, o real tem mostrado resiliência. Fatores de risco, porém, permanecem presentes e devem ser monitorados de perto.
- Política monetária de bancos centrais globais e flutuações nas taxas de juros internacionais.
- Choques geopolíticos que afetam o fluxo de capitais.
- Decisões fiscais e eleitorais domésticas que podem alterar a confiança do investidor.
- Volatilidade nos preços de commodities, impactando exportadores e importadores.
Conclusão prática
Para navegar com segurança no câmbio de 2026, é essencial unir análise de dados econômicos e ações concretas, garantindo que gastos e investimentos sejam otimizados.
- Monitore diariamente indicadores como IPCA, Selic e reservas cambiais.
- Estabeleça políticas internas de viagem e aquisição de moeda baseadas em projeções.
- Utilize ferramentas de hedge ou contratos forward para operações de grande valor.
- Implemente relatórios periódicos comparando gastos planejados e realizados.
- Conte com consultoria especializada para ajustar estratégias conforme mudanças no mercado.
Com essas diretrizes, empresas e viajantes estarão mais preparados para enfrentar oscilações, transformar desafios em oportunidades e manter suas finanças sob controle em um ambiente cambial dinâmico.
Referências
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- https://borainvestir.b3.com.br/noticias/mercado/real-tem-2a-maior-valorizacao-entre-28-moedas-do-mundo-no-comeco-de-2026/
- https://www.gazetasp.com.br/turismo/quer-viajar-em-2026-veja-como-pagar-menos-na-compra-de-dolar/1173681/
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21031/nota
- https://strong.com.br/na-imprensa/gastos-de-brasileiros-em-viagens-de-negocios-ao-exterior-sobem-50-em-10-anos/
- https://jornaldobras.com.br/noticia/107438/cambio-e-remessas-em-2026-o-que-muda-no-bolso-de-quem-opera-globalmente
- https://www.youtube.com/watch?v=uIT7zmtzbcg
- https://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=38590&module=M







