Certificados de Recebíveis: Diversifique e Ganhe Mais

Certificados de Recebíveis: Diversifique e Ganhe Mais

Nos últimos anos, o mercado financeiro brasileiro ganhou um instrumento inovador: os Certificados de Recebíveis (CRs). Regulamentados pela Lei nº 14.430/2022, esses títulos de crédito privado surgiram para atender à crescente demanda por liquidez e alternativas de renda fixa. Neste artigo, vamos desvendar cada etapa, apresentar exemplos práticos e mostrar como você pode ampliar suas fontes de retorno de forma estratégica.

Entenda os Certificados de Recebíveis (CRs)

Os Certificados de Recebíveis são títulos de renda fixa emitidos exclusivamente por companhias securitizadoras. Essas empresas adquirem direitos creditórios de outras organizações — como duplicatas, notas fiscais ou recebíveis de cartão — e os transformam em papéis negociáveis no mercado de capitais.

A MP nº 1.103/2022, convertida na Lei nº 14.430/2022, estabeleceu regras permanentes para a emissão desses certificados, garantindo rigorosa governança e transparência legal. Com isso, os CRs passaram a oferecer segurança jurídica semelhante à de outros títulos de renda fixa, ampliando as opções disponíveis para investidores institucionais e de varejo.

Além de democratizar o acesso a investimentos em crédito, essa regulamentação estimulou a criação de novos produtos, fortalecendo o mercado de securitização e melhorando a eficiência do sistema financeiro como um todo.

Como Funciona a Securitização

O processo de securitização inicia com a aquisição, pela securitizadora, de direitos creditórios de uma empresa vendedora. Esses direitos podem vir de vendas parceladas no cartão, duplicatas ou contratos de prestação de serviços.

Em seguida, os direitos são agrupados e transformados em CRs, títulos que serão lançados no mercado. O valor é pago à vista à empresa cedente com um deságio, ou seja, um desconto sobre o montante dos recebíveis.

  • Empresa vende R$ 1.000 em 10 parcelas via máquina de cartão.
  • Securitizadora antecipa R$ 900 à vista, com deságio de 10%.
  • As bandeiras de cartão repassam cada parcela à securitizadora.
  • Investidores, ao comprarem o CR, financiam essas antecipações.

Por fim, o investidor que adquire o CR passa a receber o principal acrescido da rentabilidade no vencimento, ou em pagamentos periódicos, conforme o contrato.

Vantagens para Empresas e Investidores

Os CRs oferecem benefícios expressivos para ambos os lados da operação. Entre as principais vantagens, destacam-se:

  • Liquidez imediata para empresas, sem recorrer a empréstimos tradicionais.
  • Retornos atrativos em renda fixa privada, muitas vezes superiores ao CDI.
  • Estrutura jurídica robusta e auditada, conferindo maior confiança ao mercado.
  • Flexibilidade de prazos e fluxos de pagamento, adequados a diferentes perfis.

Para as empresas, trata-se de liberar capital de giro e investir em expansão. Para o investidor, é uma forma de diversificar a carteira, reduzindo a correlação com outros ativos e potencializando ganhos.

Tipos de Rentabilidade e Garantias

Os Certificados de Recebíveis podem ser emitidos em diferentes formatos de remuneração: prefixados, pós-fixados (atrelados ao CDI) ou híbridos (IPCA mais spread). Essa variedade permite ao investidor escolher entre previsibilidade ou proteção contra a inflação.

Quanto às garantias, as securitizadoras implementam procedimentos como segregação de receitas em contas fiduciárias, monitoramento contínuo do fluxo de recebíveis e cláusulas contratuais que preveem mecanismos de proteção em caso de inadimplência. Esse conjunto de práticas resulta em elevado nível de segurança jurídica aos investidores.

CR vs CRI/CRA: Entenda as Diferenças

Embora todos se encaixem na categoria de títulos de recebíveis, existem distinções fundamentais entre CR, CRI e CRA. Veja a comparação:

Os CRs se destacam pela ampla diversificação de ativos, enquanto CRIs e CRAs são focados em segmentos específicos, com características de risco e prazo distintos.

Como Investir em CRs

Investir em Certificados de Recebíveis é simples e acessível por meio de corretoras com acesso à B3. Siga estes passos fundamentais:

  • Abra conta em uma corretora habilitada para renda fixa privada.
  • Estude o prospecto e avalie rentabilidade, prazo e riscos.
  • Confira o rating do emissor e a qualidade dos recebíveis.
  • Defina a alocação adequada ao seu perfil de risco.
  • Realize a compra pela plataforma da corretora.

Após a aquisição, é importante monitorar periodicamente relatórios de desempenho e manter o rebalanceamento da carteira, garantindo que o peso dos CRs esteja sempre alinhado aos seus objetivos financeiros.

Principais Riscos e Dicas de Proteção

Como em qualquer investimento de crédito privado, existem riscos de inadimplência dos devedores originais, ausência de cobertura do FGC e liquidez inferior à de títulos públicos. Para mitigar essas exposições, diversifique emissões e setores, opte por títulos com ratings elevados e acompanhe relatórios de compliance. Além disso, mantenha parcela da carteira em instrumentos mais líquidos, garantindo equilíbrio entre risco e retorno.

Conclusão: Por que Apostar em CRs

Os Certificados de Recebíveis se tornaram um dos pilares da renda fixa privada, oferecendo oportunidades únicas de diversificação e rentabilidade. Regulamentados de forma clara e respaldados por estruturas jurídicas sólidas, os CRs permitem ao investidor acessar fluxos de caixa reais, alinhados ao desempenho de empresas de diversos setores.

Ao entender seu funcionamento, modalidades de remuneração e possíveis riscos, você estará apto a construir uma estratégia robusta, capaz de potencializar seus ganhos de longo prazo e fortalecer sua carteira em um cenário econômico cada vez mais desafiador.

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

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